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Feiras internacionais não geram vendas pela participação

17 de mai.
2 min de leitura

Nos últimos 16 anos, participei de feiras nos Emirados Árabes, nos EUA, na Itália, na Alemanha, no Chile, no Brasil. Dito isso, afirmo categoricamente que minhas vendas para as indústrias em que trabalhei não aconteceram porque estava expondo na feira. Um trabalho robusto foi feito antes ou depois do evento.


De toda forma, participar de feiras internacionais continua sendo uma das ferramentas mais relevantes para empresas que desejam expandir sua presença global, abrir mercados e desenvolver relacionamento com potenciais importadores. Porém, existe um erro recorrente no comércio exterior: acreditar que a feira, por si só, gera exportação. Não gera.


A feira criará acesso. O negócio internacional nasce da preparação, da estrutura comercial e da capacidade de execução da empresa após o evento. Sabemos que as empresas investem valores importantes em estandes, viagens, materiais promocionais e exposição de marca, mas negligenciam justamente os fatores que determinam a conversão real das oportunidades geradas. O resultado é previsível: dezenas de contatos coletados, inúmeras conversas promissoras e poucas negociações efetivamente concluídas.

No comércio internacional, improviso raramente sustenta crescimento.


Um dos maiores equívocos é iniciar o trabalho comercial apenas quando o evento começa. Empresas que obtêm melhores resultados normalmente chegam à feira com relacionamentos previamente desenvolvidos. Isso significa realizar um trabalho comercial antecipado, identificando importadores que estarão ou poderão estar no evento. A feira deixa de ser um ambiente de prospecção aleatória e passa a funcionar como um ponto de aceleração de negociações já iniciadas.


Quando o potencial cliente já conhece minimamente a empresa antes do evento, a dinâmica muda completamente. A reunião deixa de ser uma simples apresentação institucional e passa a ter profundidade comercial. Empresas maduras na exportação raramente dependem apenas do fluxo espontâneo de visitantes do estande.


Além disso, grande parte das oportunidades internacionais se perde no pós-evento por ausência de processo comercial estruturado. O contato acontece, o cartão é trocado, o interesse é demonstrado, mas o follow-up é lento, desorganizado ou superficial.


Em mercados internacionais, velocidade e consistência comercial possuem enorme impacto.

O potencial importador normalmente visita dezenas ou até centenas de fornecedores durante um único evento. Quem mantém contato estruturado, responde rapidamente e conduz o relacionamento com organização tende a avançar. O pós-feira precisa funcionar como uma operação comercial profissional, não como uma sequência improvisada de mensagens.


Muitas empresas acreditam que perderam negócios por preço ou qualquer outra coisa que não é verdade. Em diversos casos, perderam por falta de processo.


Outro ponto frequentemente negligenciado é a capacidade real de atender aquele potencial cliente internacional. A feira pode gerar interesse comercial imediato, mas isso não significa que a empresa esteja operacionalmente preparada para sustentar a oportunidade. O importador avalia muito mais do que produto. Ele analisa sua confiabilidade, estrutura, previsibilidade e capacidade de execução.


Por fim, feiras internacionais continuam sendo instrumentos extremamente valiosos para expansão global. Porém, o verdadeiro diferencial não está apenas na presença física no evento.


Sobre o autor | Roberto Ferreira Júnior, diretor de internacionalização da Export Bridge Co. Profissional de Relações Internacionais, com especialização em desenvolvimento de negócios internacionais, MBA em Vendas pela PUCRS e MBA em Globalização de Empresas pela FIA Business School. 

 
 
 

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