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Precificação internacional não é conversão de moeda

14 de mai.
2 min de leitura

Depois de anos atuando diretamente em negócios internacionais, negociando com compradores de diferentes países e acompanhando empresas brasileiras em seus processos de expansão global, percebi que a maioria dos problemas na exportação não começa no produto, mas na forma como a empresa decide se posicionar comercialmente no mercado externo.


Preço internacional não é apenas uma questão financeira. É uma decisão estratégica.

O importador não avalia somente quanto custa o seu produto. Ele compara estrutura, previsibilidade, risco operacional, velocidade de resposta, consistência comercial e capacidade de entrega. Ou seja, competir internacionalmente vai muito além de simplesmente oferecer o menor preço.


É justamente por isso que existem diferentes estratégias de precificação internacional, e cada uma delas atende a objetivos específicos dentro da expansão global da empresa.

A estratégia de penetração de mercado, por exemplo, é utilizada quando a empresa decide entrar em um mercado internacional com preços mais agressivos para acelerar ganho de participação, abrir canais de distribuição e aumentar volume rapidamente. É uma estratégia válida, principalmente em mercados altamente competitivos, mas que exige estrutura financeira, planejamento e capacidade de sustentação no médio e longo prazo.


O problema é que muitas empresas entram no mercado externo utilizando preços extremamente baixos sem estrutura operacional adequada e acabam transformando a exportação em uma operação sem margem, sem previsibilidade e sem capacidade de crescimento sustentável. E, quando isso acontece, normalmente o desgaste comercial e financeiro chega muito rápido.


Outra estratégia bastante utilizada é o que chamamos de desnatamento de mercado. Nesse modelo, a empresa entra no mercado internacional com preços mais elevados, sustentados por diferenciação, posicionamento premium, força de marca ou valor agregado. Empresas que conseguem transmitir relevância, qualidade, segurança operacional, consistência e percepção de exclusividade normalmente operam com margens superiores justamente porque deixam de competir apenas pelo fator preço.


Existe também a precificação competitiva, uma das estratégias mais comuns no comércio internacional. Nesse caso, o preço é definido observando diretamente o movimento do setor no mercado global. A empresa busca manter competitividade em relação aos concorrentes internacionais sem necessariamente liderar preço. É um modelo que exige acompanhamento constante de mercado, análise de concorrência e inteligência comercial para equilibrar margem e competitividade de maneira sustentável.


Por fim, existe a estratégia baseada em valor percebido, que considero uma das mais sofisticadas dentro da internacionalização. Nesse modelo, o preço não é definido apenas pelo custo ou pelo comportamento da concorrência, mas pelo valor que o comprador percebe na operação como um todo.


No mercado externo, previsibilidade, profissionalismo, velocidade de resposta, domínio documental e segurança operacional possuem valor econômico. Importadores frequentemente aceitam pagar mais caro quando enxergam menor risco na relação comercial. E esse é um ponto que muitas empresas ainda não compreenderam: no comércio internacional, risco tem preço.


Empresas maduras internacionalmente entendem que preço não serve apenas para proteger margem. Serve para construir posicionamento, atrair o perfil correto de cliente e sustentar crescimento global no longo prazo. A precificação não pode ser tratada como uma simples conta matemática.


Sobre o autor | Roberto Ferreira Júnior, diretor de internacionalização da Export Bridge Co. Profissional de Relações Internacionais, com especialização em desenvolvimento de negócios internacionais, MBA em Vendas pela PUCRS e MBA em Globalização de Empresas pela FIA Business School. 

 
 
 

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